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Teve uma discussão essa semana que já era a terceira vez que acontecia. Ou talvez você tenha reagido de um jeito que, depois, ficou se perguntando por quê. E aí vem aquele pensamento quase automático: eu sou complicada mesmo.

Às vezes ele aparece com humor, pra suavizar. Às vezes vem só cansado, sem nem tentar disfarçar.

Eu entendo de onde isso vem. É uma das questões que mais escuto no consultório, aqui em Santo André e também nos atendimentos online. Quando os mesmos comportamentos se repetem, quando você reage de um jeito que depois lamenta, a explicação mais à mão costuma ser a mais simples: o problema sou eu.

Mas tem uma diferença grande entre se responsabilizar e se condenar.

Se responsabilizar é olhar pros seus padrões e reconhecer que eles têm impacto real na sua vida e nas suas relações. É daqui que qualquer mudança começa. Se condenar é parar nesse reconhecimento e virar ele prova de que você é falha, que não tem jeito, que é difícil demais mesmo.

Em psicologia a gente entende que os padrões mais difíceis de carregar foram formados por algum motivo. Fizeram sentido em algum momento, em algum contexto. A menina que aprendeu que demonstrar necessidade gerava rejeição foi aprendendo a esconder o que sentia. A adolescente que precisou ser forte cedo demais aprendeu a ignorar os próprios limites. Isso não era disfunção, era adaptação. O problema é quando esse jeito de funcionar continua no automático muito depois de o contexto ter mudado.

Como psicóloga de mulheres adultas em Santo André, esse é justamente o tipo de padrão que trabalho com minhas pacientes: entender a origem antes de tentar mudar o comportamento na força.

Entender isso não te isenta de nada. Só muda o jeito como você olha pro padrão, de punição pra curiosidade.

E se o que você chama de ser difícil for, na verdade, uma história que ainda não foi revisitada?

Com carinho,

Amanda Cipriano

@apsiamanda